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ALERTA
GERAL
Com a autoridade moral de quem sempre defendeu o direito de os dependentes
químicos serem tratados com respeito e compreensão e não como criminosos,
entidades que se preocupam com o problema de dependência química olham,
com grande preocupação, propostas cada vez mais irresponsáveis
relacionadas com o problema das drogas.
Locais protegidos pelo Estado para o
consumo, distribuição de drogas pelo Poder Público, atenção mesmo aos que
desejam continuar no uso de substâncias ilícitas, mais parecem medidas de
incentivo ao uso das drogas.
Sem nenhum compromisso com a verdade
e com a coerência, os partidários dessas medidas apresentam-se como
defensores da liberdade e dos novos tempos.
Esquecem-se de que
não há maior escravidão do que a das drogas e de que a busca do prazer a
qualquer custo foi uma das características de muitos impérios na fase da
decadência.
Quanto à distribuição pelo Estado,
por que privilegiar apenas o usuário de drogas?
Vítimas de outros comportamentos
compulsivos, tão imperiosos como o das drogas (tabagismo, alcoolismo,
jogo, etc.) ficariam também com o direito de receber do Estado cigarros,
bebidas, dinheiro, para satisfazerem suas compulsões.
Os defensores dessas medidas nunca
alertam sobre os problemas da degradação pessoal nem sobre as graves
conseqüências sociais da dependência química.
Membros do Amor Exigente, das
Federações de Comunidades Terapêuticas, da Pastoral da Sobriedade, da
Frente Parlamentar Antidrogas, de Associações Científicas como ABEAD e a
UNIAD, que somam centenas de milhares de pessoas, estão sendo batidos por
algumas dezenas de indivíduos audaciosos e irresponsáveis.
Resolveram, por isso, formar uma
Frente Unida em defesa da Vida.
Como medida preliminar foi solicitado
que cada uma das entidaes presentes elaborasse a proposta de um
manifesto, que seria debatido na próxima reunião do grupo, a procura de um
texto de consenso. Solicitamos ao Prof. Dr. J.F. Régis de Moraes que
redigisse a nossa proposta.
Solicitamos ao nosso grande amigo,
Prof. Dr. J.F. Régis de Morais que elaborasse um manifesto que pudesse
mobilizar, em nível nacional, todos os que desejam uma vida sem drogas.
O Prof. Régis Livre Docente pela
UNICAMP, onde dirigiu o curso de Pedagogia, é professor do Curso de
Pós-Graduação da PUC – Campinas, autor de cerca de 30 livros abordando
temas de Educação, Psicologia e Sociologia e já escreveu artigos,
ministrou aulas e proferiu conferências sobre o problema da dependência
química.
É do Prof. Régis o sábio e lúcido
texto que transcrevemos:
MANIFESTO EM FAVOR DA
VIDA E DA LIBERDADE
A vida, fundamento e manifestação da existência, precisa ser uma grande
experiência de libertação interior do ser humano. Todo expediente de fuga
do existir é antivida: especialmente a fuga pelas drogas, que leva a uma
fantasia mórbida e, algumas vezes, assassina.
Responsavelmente, manifestamo-nos
contra grupos mal intencionados que, de forma mais ou menos clandestina,
aproveitam-se das fragilidades de adolescentes e jovens, oferecendo-lhes
absurdas mentiras. Oferecem-nas em nome de “um novo tempo” de liberdade
pessoal em que, apenas pelo desejo, se buscará as drogas; trata-se de um
“falso novo tempo” que esteve presente em antigos e remotos períodos de
decadência humana registrados pela História.
Esses grupos oferecem também
conselhos para uma “cínica e falsa liberdade”, pois toda a sociedade tem
testemunhado a horrível escravidão a que levam as toxicofilias –
manifestações auto-destrutivas.
Não surpreende que uma cultura
intoxicada de consumismo e violência seja uma cultura dos tóxicos. Ora,
isto traz à cena social figuras sombrias, vultos que não mostram os seus
rostos que, como deformações sociais que são, pregam o desvario e a
auto-destrutividade com o nome de liberdade.
Em nome da vida saudável e do existir
pleno, especialmente em nome de tantas famílias hoje destruídas pelas
drogadicções, homens e mulheres responsáveis vem a público desmascarar e
desmentir os que objetivam arruinar vidas para favorecimento de suas
contas bancárias. Homens e mulheres responsáveis que não necessitam
habitar as sombras, apresentam-se ao povo e às autoridades para fazer uma
denúncia inadiável em busca de “novos tempos” verdadeira e positivamente
novos.
Como no dizer bíblico “O
machado está posto à raiz da árvore” . É tempo de a sociedade civil e suas
autoridades enfrentarem esses grupos sombrios e inescrupulosos; não há
prazo para a contemporização.
Se quando criminosos do ciberespaço
roubam contas bancárias os órgãos policiais os rastreiam e aprisionam,
como deixar à vontade outros malfeitores que aniquilam vidas e destroem
famílias? O patrimônio mais precioso de todas as sociedades é a vida
saudável e o existir pleno de seus componentes.
Por não crer em que haja ameaça vital
maior aos indivíduos e às sociedades do que a drogadicção, em nome do
viver com dignidade e da “verdadeira” liberdade, homens e mulheres
sensibilizados e dispostos à luta vêm a público manifestar absoluto
repúdio ao crime de se iludir pubertários, adolescentes, jovens e mesmo
adultos fragilizados por seus conflitos.
Este manifesto é o início de um
processo de apoio e de solidarização às famílias brasileiras.
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